PAPO ESPÍRITA

UMA SÓLIDA AMIZADE

OUTUBRO/2.015

Redação do Momento Espírita, com base em texto atribuído ao romano Cícero. Disponível no livro Momento Espírita, v. 5, ed. FEP. Em 22.9.2015.

No século IV a.C., em Siracusa, na Sicília, havia dois amigos inseparáveis.

Certo dia, o rei Dionísio aborreceu-se ao tomar conhecimento de certos discursos que Pítias vinha fazendo.

O jovem pensador andava dizendo ao público que nenhum homem devia ter poder ilimitado sobre outro. E que os tiranos absolutos eram reis injustos.

Preso, Pítias reafirmou as suas ideias. O que dizia ao povo era a verdade e, portanto, a sustentaria, custasse o que custasse.

Acusado de traição, foi condenado à morte. Como seu último desejo, pediu ao rei que o deixasse dizer adeus à sua mulher e filhos e pôr os assuntos domésticos em ordem.

Dionísio riu do desejo do condenado.

Vejo que, além de injusto e tirano, você também me considera um tolo. Se sair de Siracusa, tenho certeza que nunca mais voltará, disse o rei.

Foi nesse momento que Damon adiantou-se e ofereceu-se como garantia. Ficaria em Siracusa como prisioneiro, até o retorno do amigo.

Pode ter certeza de que Pítias voltará. Nossa amizade é bem conhecida.

Ainda um tanto desconfiado, Dionísio examinou os dois amigos. Alertando Damon que, se Pítias não voltasse, ele morreria em seu lugar, aceitou a oferta.

Pítias partiu e Damon foi atirado na prisão. Muitos dias se passaram. Pítias não voltava e o rei foi verificar como estava o ânimo do prisioneiro.

Seu tempo está chegando ao fim, sentenciou Dionísio. Será inútil implorar misericórdia. Você foi um tolo em confiar em seu amigo. Achou mesmo que ele voltaria para morrer?

Com firmeza, Damon respondeu: É um mero atraso. Talvez os ventos não lhe tenham permitido navegar. Talvez tenha tido um imprevisto na estrada. Guardo a certeza de que, se for humanamente possível, ele chegará a tempo.

Dionísio admirou-se daquela confiança.

Chegou o dia fatal. Damon foi retirado da prisão e levado à presença do carrasco.

Lá estava o rei, sarcástico, gozando sua vitória.

Parece que seu amigo não apareceu. Que acha dele agora?

É meu amigo. Confio nele, foi a resposta de Damon.

Nem terminara de falar e as portas se abriram, deixando entrar Pítias cambaleante.

Estava pálido, ferido e a exaustão lhe tirava o fôlego. Atirou-se nos braços do amigo.

Graças aos céus, você está vivo. – Falou, soluçando. Parece que tudo conspirava contra nós. Meu navio naufragou numa tempestade. Depois, bandidos me atacaram na estrada.

Recusei-me, contudo, a perder a esperança e aqui estou. Estou pronto para cumprir a minha sentença de morte.

Dionísio ouviu com espanto as palavras. Era-lhe impossível resistir ao poder de tal lealdade.

Emocionado, declarou: A sentença está revogada. Jamais acreditei que pudessem existir tamanha fé e lealdade na amizade. É justo que ganhem a liberdade. Em troca, porém, peço um grande auxílio.

Que auxílio? - Perguntaram os amigos.

Ensinem-me a ter parte em tão sólida amizade.

*   *   *

Amizade é mais que afinidade. Envolve mais que afeição.

A amizade genuína requer tempo, esforço e trabalho para ser mantida. Amizade é algo profundo.

De fato, é uma forma de amor.

O PERDÃO, A CULTURA AMISH E O ESPIRITISMO.

AGOSTO/2.015

Ronaldo Magalhães é Administrador de Empresas

Em nossa constante necessidade de vigília e desenvolvimento espiritual, é de suma importância dar ênfase a uma das ações, que muitas vezes se torna difícil em função dos terríveis acontecimentos que a vida nos proporciona: a necessidade de perdoar. Mas o que seria o perdão? Alguns afirmam que se pode perdoar, mas não esquecem aquilo que lhe foi feito; seria esse o verdadeiro perdão? Ou ele seria o esquecimento completo e absoluto das ofensas, puro, sincero, e com o coração brilhante? Seja como for, deve, acima de tudo, ser realizado pelas ações sobre quem lhe ofendeu, todavia, sem orgulho ou restrições. É fácil às vezes dizer “perdoo”, mas, de novo, isso é perdoar, realmente?
Segundo Mateus 18:21-22, e muito bem elucidado n’“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, de Allan Kardec, Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou-lhe: "Senhor, quantas vezes deverei perdoar a meu irmão quando ele pecar contra mim? Até sete vezes? Jesus respondeu-lhe: "Eu digo a você: não até sete, mas até setenta vezes sete”
Na análise da oração “Pai Nosso”, temos a máxima "...perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido...", ou seja, pedimos a Deus o perdão para nós, mas somos capazes de fazer o mesmo? Sim, devemos nos doutrinar com esse aprendizado divino e não fazer dessa prece uma leitura de um momento de louvor, mas de uma afirmação de fé verdadeira e de compromisso para com o próximo.
A comunidade Amish, conhecida por mim no estado de Indiana, nos EUA, é um grupo religioso cristão anabatista sediado nos Estados Unidos e Canadá. São conhecidos por seus costumes conservadores, inclusive o uso restrito de equipamentos eletrônicos, como telefones e automóveis. Muitas vezes são confundidos com comunidades igualmente reservadas, mas de tradições e raízes completamente distintas e, algumas vezes, até com os Fundamentalistas, com os quais, aliás, mantêm poucas semelhanças.
Uma das maiores comunidades Amish no mundo fica na Pensilvânia (EUA) e, em outubro de 2.006, uma chacina dentro de sua escola resultou na morte de cinco crianças entre 6 e 13 anos, além do atirador de 32 anos, o qual se suicidou.
O atirador, Roberts, um motorista de caminhão de leite que atendia à comunidade, fez 10 meninas reféns e, no mesmo dia, membros da comunidade visitaram sua família para dizer que o perdoavam. No enterro das meninas, o avô de uma das vítimas disse às demais crianças: "não devemos odiar aquele homem". O fato inspirou o filme, lindo, Amish, “Grace” (Perdão), o qual recomendo, sobre a abordagem desse tema tão controverso: como perdoar alguém que assassinou seu filho ou outro ente muitíssimo amado?
A vida é feita de escolhas, seu presente e futuro, nesta ou em outras vidas, dependem disso, recordemo-nos. Procure sempre se fortalecer com seus valores, com seus aprendizados, para evitar cair nos erros contínuos que o mundo nos proporciona ou que os obsessores irão, caso você mesmo lhes permita, atrapalhar sua jornada ou, no mínimo, colocar suas convicções à prova. Sim, porque afinal precisamos evoluir, e será somente com as provações-tentações passadas aqui, em nosso inferno/paraíso terrestre, que conseguiremos atingir nossos objetivos. 
Perdoe..., sempre, não guarde mágoas! A vida é muito frágil, tudo muda muito rápido de um instante para outro e nunca saberemos até quando estaremos aqui. Não carregue o fardo pesado da mágoa para a outra vida.
E continuemos em nossas lutas para fortalecer nossos espíritos com as boas virtudes transformadas em ações. 

O HOMEM CIBERNÉTICO E O ESPIRITISMO

AGOSTO/2.015

Kelsey M. de Carvalho é Administrador de Empresas

Definições:


1- Homem: substantivo masculino; mamífero da ordem dos primatas, único representante vivente do gên. Homo, da sp. Homo sapiens, caracterizado por ter cérebro volumoso, posição ereta, mão preênseis, inteligência dotada da faculdade de abstração e generalização, e capacidade para produzir linguagem articulada. A espécie humana; a humanidade.
 
2- Cibernética: substantivo feminino oriundo de ciber-, ciência que tem por objeto o estudo comparativo dos sistemas e mecanismos de controle automático, regulação e comunicação nos seres vivos e nas máquinas. Realidade virtual.
Após analisarmos as definições de homem e de cibernética podemos deduzir que o “homem cibernético” é o homem dotado de sistemas e mecanismos de controle automático, ou seja, um objeto por nós conhecido como robô.
Cientistas da atualidade buscam freneticamente o Homem Cibernético (HC), que será capaz de executar quase todas as atividades exclusivas do, hoje, Homo Sapiens (HS). Aquele HC terá memória de computador capaz de armazenar todas as coisas já catalogadas pelo HS. Alguns seguem a teoria de que estes HC substituirão os homens em seus afazeres.


Espiritismo, o que é
* É o conjunto de princípios e leis, revelados pelos Espíritos Superiores, contidos nas obras de Allan Kardec, e que constituem a Codificação Espírita: O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno, e A Gênese.
* “O Espiritismo é uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos Espíritos, bem como de suas relações com o mundo corporal”.   Allan Kardec (“O que é o Espiritismo; Preâmbulo”).
* “O Espiritismo realiza o que Jesus disse do Consolador prometido: conhecimento das coisas, fazendo que o homem saiba donde vem, para onde vai e por que está na Terra; atrai para os verdadeiros princípios da lei de Deus e consola pela fé e pela esperança.”   Allan Kardec (“O Evangelho segundo o Espiritismo – Cap. VI – 4”).

 

O Que Revela?

* Conceitos novos e mais aprofundados a respeito de Deus, do Universo, dos Homens, dos Espíritos e das Leis que regem a vida.
* Revela, ainda, o que somos, de onde viemos, para onde vamos, qual o objetivo da nossa existência e quais as razões da dor e do sofrimento.


Segundo estas definições contidas no site da FEB – Federação Espirita Brasileira –, podemos afirmar ser o Homem Cibernético um ser artificial dotado apenas dos conhecimentos que o próprio homem lhe imputar, ou seja, que será apenas um objeto de executar o que o homem lhe programar, ou que lhe der subsídios. O Homem Cibernético não será dotado de espirito, portando será um objeto e nada mais que isso...

PANORAMA: VIOLÊNCIA ATUAL E ESPIRITISMO

JULHO/2.015

Sylvio Mendonça é Presidente da USE-JUNDIAÍ

Por que, neste mundo, os maus exercem geralmente maior influência sobre os bons? - Pela fraqueza dos bons. Os maus são intrigantes e audaciosos, os bons são tímidos. Estes, quando quiserem, assumirão a preponderância (O livro dos Espíritos – questão 932).

A violência é uma realidade do nosso padrão vibratório. Estamos em um planeta de provas e expiações onde o mal ainda é maior que o bem. Na linguagem yunguiana há a predominância dos arquétipos, o que podemos entender como uma “genética espiritual”. Se fizermos uma autoanálise corajosa nos depararemos com alguém ou algo que, a princípio não reconheceremos como sendo nós, porém, devido muitas vezes ao nosso “narcisismo espiritual”, fugimos dessa realidade. Quando fatos e acontecimentos do cotidiano da nossa vida colocam diante dos nossos propósitos e desejos algo ou alguém que nos impeça de atingir o desiderato pretendido, reclamamos o nosso direito. Isso é legítimo desde que o nosso direito reclamado não invada terreno alheio.
Segundo o neurocientista Steven Pinker, no livro “Os anjos bons de nossa natureza”, duas forças estão presentes em todo e qualquer ato de violência: o desrespeito e a intolerância. Desrespeito de alguém a uma situação, uma lei, uma norma, enfim, a algo legalmente instituído, e intolerância ao não se compreender, o que não significa concordar, que o outro provavelmente está em desequilíbrio momentâneo e se torna, por isso mesmo, basta vezes, alvo fácil dos congêneres espirituais. Uma situação corriqueira ilustra bem o panorama atual com respeito à violência: o cidadão  tranquilamente dirigindo o seu automóvel é ameaçado em sua integridade por alguém  que, em outro veiculo, avança o sinal e causa um acidente. Está, em muitas situações como essa, instalada uma zona de conflito. Ficam evidentes, nessa hipotética situação (nem tão hipotética assim) as duas forças geradoras da violência: o desrespeito e a intolerância.
O germe da criminalidade e da violência está diretamente relacionado com o estado moral do espírito, pois o uso da arma impõe domínio, seja a física ou a intelectual. Da primeira é fácil perceber os resultados que enchem as páginas dos jornais, mas da segunda nem sempre é tarefa fácil diagnosticar as consequências que as mais das vezes tornam-se motivos para as primeiras. Elencando o rol destas últimas encontramos o preconceito, o fanatismo, o intelectualismo arrogante e pretencioso,  a posição social pretensamente superior, as cores do time preferido em detrimento dos demais, enfim, várias situações presentes em nosso dia a dia. Essas forças “dormem” dentro de nós, de repente acordam e, muitas vezes, chegamos a uma dura realidade; não nos conhecemos verdadeiramente. 
Kardec, na questão 784 de “O Livro dos Espíritos”, faz uma colocação que provavelmente fazemos hoje: “Bastante grande é a perversidade do homem. Não parece que, pelo menos do ponto de vista moral, ele, em vez de avançar, caminha aos recuos”? Enganas-te. Observa bem o conjunto e verás que ele avança, pois vai compreendendo melhor o que é o mal, e dia a dia corrige os seus abusos.
Meditemos sobre a realidade que nos cerca, participemos dela, porém  não nos deixando envolver a ponto de comprometer o nosso equilíbrio.
Deixemos a luz do bem entrar. Onde a luz se faz presente não há trevas.

O CÉU E O INFERNO

JUNHO/2.015

ANTONIO C. PERRI é 1º Secretário do Conselho Espírita Internacional

     Há 150 anos, em agosto, o Codificador lançava “A Justiça Divina Segundo o Espiritismo”, depois transformada em subtítulo do definitivo “O Céu e o Inferno”.
     No Brasil, o pioneiro Joaquim Carlos Travassos foi seu primeiro tradutor para o Português, a partir da 4ª edição francesa, no ano de 1.875, lançando-o pela Editora B.L. Garnier e, alguns anos depois, houve a tradução de Manuel Quintão (1.904).
Allan Kardec escreveu essa obra como um desdobramento natural da 4ª Parte de “O Livro dos Espíritos”, a que tratou “Das Esperanças e Consolações”. Foi o primeiro livro em que se fizeram os estudos dos estados das almas com bases nas comunicações dos espíritos desencarnados, portanto tem um valor histórico importante pelo ineditismo de sua proposta. Mas o vigor desse trabalho de Kardec é, em geral, pouco entendido, pois, infelizmente, não é muito estudado no Movimento Espírita.
     A compreensão sobre as situações espirituais, com base na certeza da imortalidade da alma na visão do Espiritismo, desmistifica os dogmas das religiões tradicionais. Os ensinos morais do Cristo se fundamentam no Deus Único e na conotação do evangelista João: “Deus é amor” (I João, 4:8). 
     Na 2ª Parte do livro de Kardec estão incluídos os exemplos dos “estados das almas”, constatados nas mensagens espirituais. 
    Classificado como manifestação dos “espíritos felizes”, há o caso de Sanson, que foi membro da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas: “[...] acho-me regenerado, renovado, como se diz entre vós, nada mais sentindo das antigas dores. A passagem da vida terrena para a dos Espíritos deixou-me de começo num estado incompreensível, porque ficamos algumas vezes muitos dias privados de lucidez”.
   Do lado oposto, entre os espíritos considerados “sofredores”, há o relato de Novel, jovem que desencarnou aos 21 anos de idade: “Vou contar-te o meu sofrimento quando morri. Meu espírito, preso ao corpo por elos materiais, teve grande dificuldade em desembaraçar-se – o que já foi, por si, uma rude angústia”.
    As manifestações dos suicidas são dolorosas, como a do ateu, homem instruído, chamado M.J.B.D.: “Sofro. Sou um réprobo. [...] Sofro pelo constrangimento em que estou de crer em tudo quanto negava. Meu Espírito está como num braseiro, horrivelmente atormentado”.
     Entre os vários casos de espíritos arrependidos, Kardec incluiu o caso do padre Verger. Este assassinou o arcebispo de Paris e acabou sofrendo a pena de morte. Trecho de seu depoimento: “Ainda preso ao corpo. [...] Fiz mal em matar, mas a isso fui levado pelo meu caráter, que não podia tolerar humilhações... [...] lamento o que fiz e isso me faz sofrer. [...] Sou punido porque tenho consciência de minha falta, e para ela peço perdão a Deus”. O espírito mostra-se disposto a reparar suas faltas em nova oportunidade reencarnatória.
    Por ocasião do Centenário dessa obra do Codificador, pela psicografia de Chico Xavier, o espírito Emmanuel escreveu Justiça Divina:  “[...] traçamos os despretensiosos comentários contidos neste volume, em torno das instruções relacionadas no livro ‘O Céu e o Inferno’ [...] dando continuidade à tarefa de consultar a essência religiosa da Codificação Kardequiana...”.
     O ano de 2.015, o do sesquicentenário de “O Céu e o Inferno”, é uma excelente oportunidade para se estimular a leitura e o estudo dessa notável obra básica. Entre as muitas dúvidas esclarecidas pelo Espiritismo, aquela bastante recorrente, “para onde vou após a morte?”, sem dúvida é respondida pelo “O Céu e o Inferno”!
 
(O Autor foi Presidente da USE-SP e da FEB)

BOAS E MÁS INTERVENÇÕES DOS ESPÍRITOS EM NOSSAS VIDAS

MARÇO/2.015

Sylvio Lima de Mendonça é Presidente da USE-JD

     “Influem os Espíritos em nossos pensamentos e nossos atos?”. Resposta: “Muito mais do que imaginais. Influem a tal ponto que, de ordinário, são eles que vos dirigem” – (“in” “O Livro dos Espíritos, questão 459).


     Estamos inseridos em um contexto existencial no qual as mentes acham-se interconectadas devido à lei de atração universal. Leon Denis, a esse respeito, escreve no livro “O Problema do Ser, do Destino, e da Dor”: “Tudo o que está em nós está no Universo e tudo que está no Universo encontra-se em nós”.  


     Há fases, em nossas vidas, nas quais acontecimentos inesperados provocam estados mentais desequilibradores, levando-nos às exteriorizações de “quadros mentais” denunciadores da paisagem psíquica em que nos encontramos e facilitando, por isso mesmo, as sintonias com outras mentes de mesmos teores vibracionais e, então, passamos a viver em um conúbio de ideias afins. 


      Da mesma maneira, se estamos em momentos de calmaria mental, de equilíbrio emocional, e psíquico, nossas companhias, por sintonia, também estarão no mesmo clima mental e, consequentemente, ampliar-se-ão em nós a harmonia com a vida e a alegria de viver, dando-nos as disposições necessárias para transpormos todos e quaisquer obstáculos que se nos apresentem. Tornamo-nos, então, senhores de nossas vidas.


     Há situações e acontecimentos, em nossos dia-a-dia, que provocam em nós reações as mais diversas, e uma dessas é a ira. É a ira contra as injustiças que presenciamos e, nesse caso, no dizer de Rui Barbosa, é o “entusiasmo divino”; mas quando esse sentimento representa a revolta e nos encaminha ao desequilíbrio, vale lembrar a recomendação do apóstolo dos gentios, Paulo de Tarso, em Ef 4:26: “Não se ponha o sol sobre a sua ira”, o que nos leva a entender que tal emoção deve ser rapidamente banida dos nossos corações, antes que tenhamos uma multidão compartilhando dela, levando-nos a alimentar a ilusão da qual nos julgamos certos.


     Cuidemos bem das portas e janelas acessoras de nossos lugares mais íntimos, os nossos sentimentos; busquemos conservar nossa casa mental livre do “lixo” que, inadvertidamente, deixamos acumular, como as nossas mágoas, ressentimentos, invejas, rancores, emoções de superioridade, etc...

 

      Porém abramos nossas casas para receber visitas que nos acrescentem coisas boas àquilo que  já possuímos; permitamos que o Evangelho de Jesus torne-se sinal de advertência em nossas vidas e esteja colocado em lugar de destaque em nossos corações, mas, não só isso, que seja o Evangelho, percebido por todos do nosso convívio através da nossa pró-atividade na difusão do Bem. Assim procedendo livrar-nos-emos das más influências, e as boas encontrarão ressonâncias e ecoarão através de nós, pois as más terão algo que lhes sirva de alternativa de mudança para o positivo e serão como material nobre para as construções de casas fortes resistentes às intempéries da vida.


     Somos livres para escolher nossas estradas e, quando nelas estivermos, a liberdade também predominará na escolha das companhias que queremos ter na jornada evolutiva e, para ilustrar o pensamento acima desenvolvido, lançamos mão de uma comparação: Imagine-se dirigindo um automóvel com o volante apresentando folga exagerada, para mantê-lo em linha reta terá você muita dificuldade. Assim é a nossa vida: atitudes distantes dos preceitos evangélicos são como o volante com folga excessiva: criarnos-ão sérias dificuldades para que nos mantenhamos na rota precisa que nos leve em segurança ao destino desejado: à paz interior e, consequentemente, à felicidade.

A ASTRONOMIA E O ESPIRITISMO

MARÇO/2.015

Luciana Rodrigues é pedagoga da rede pública

Ao discorrermos sobre Astronomia e Espiritismo corremos os riscos de não sermos bem compreendidos nessa ligação por alguns neófitos, pois é fato frequente não se fazer menções entre a primeira e a segunda, de um modo geral. Entretanto torna-se necessário compreender como a religião se preocupou com os astros no decorrer da história para, finalmente, sob a doutrina reveladora, estes apresentarem relevâncias ao entendimento.
No Antigo Testamento a Astronomia foi abordada de forma poética e, por isso, não podendo ser levada em consideração, colocou a Terra no centro da Criação, o homem como recebedor do Paraíso e, depois, desprovido dele. Não há uma visão científica nem filosófica, mas um firmamento, um céu, e um vazio.


A partir do Novo Testamento, nas palavras de Jesus, “Há muitas moradas na casa de meu pai”, dentre outras passagens bíblicas. As palavras do mestre denotam, claramente, outra dialética em relação ao universo, as quais não foram objetos de estudos do catolicismo e demais religiões cristãs protestantes. 


E quando nos referimos ao Alcorão devemos lembrar de que o profeta  Muhammad costuma recitar um trecho que afirmava o universo estar se expandindo: “E construímos o firmamento com poder e perícia, e o estamos expandindo” (Alcorão 51:47).
A revelação de que Muhammad teria recebido, cerca de 1.000 anos antes da invenção do telescópio, foi a que se aproximaria depois da “Teoria do Big-Bang”,   pois, segundo a revelação, a Terra  teria sido originada a partir da explosão de u’a massa. Diferentemente da ciência que prosseguiu seus estudos, o Alcorão se apoia numa verdade de aproximadamente 1.400 anos atrás.


Tudo que vimos até aqui, a respeito da história da Astronomia e da Religião, mostra-nos um caminho evolutivo que se estagnou nas concepções religiosas que colocaram o homem no centro da Criação, porém solitário no imenso mundo devido as religiões não prosseguirem seus estudos a partir de novos pontos descobertos pela ciência, e isso por questões dogmáticas e doutrinárias não passíveis de discussões. 


Já o Espiritismo percebe o espaço de forma diferente, sob o aspecto do “infinito”, e no qual somos parte, mas não o centro. 
Dentre tantos outros mundos, compomos, consoante nossa faixa evolutiva, os propósitos das nossas reencarnações, e as Leis Divinas, o conhecimento astrofísico.  Allan Kardec nos fala sobre o Universo: "A casa do Pai é o Universo. As diferentes moradas são os mundos que circulam no espaço infinito e oferecem, aos Espíritos que neles encarnam, moradas correspondentes ao adiantamento dos mesmos Espíritos" (“O Evangelho segundo o Espiritismo”).


Os estudos espíritas embasam-se nos fundamentos da existência de Deus, da imortalidade do espírito, da evolução, da reencarnação, da pluralidade dos mundos habitados, e da comunicabilidade entre os espíritos, estabelecendo assim um paralelismo entre as Ciências e a Filosofia. Trata-se duma doutrina de pensamento, movimento, e transformação. Assim o Espiritismo comprova os fatos a partir do estudo, verificação, e constatação.


Traz-nos um novo modelo para se entender o Universo, além da poesia, o modelo embasado nas descobertas das Ciências à luz do Espiritismo. “A Gênese”, uma das obras da “Codificação”, parte desse conhecimento cientifico para a explicação da origem do Universo. 


Novamente, quando falamos a partir da perspectiva espírita, deparamo-nos com a causa e o efeito, a bondade e a perfeição divinas, o equilíbrio, a justiça, e a inteligência. Tratam-se de conhecimentos que vão se solidificando no decorrer da história, verificando-se, pois, comprovados pela ciência e vividos por todos nós, independente das nossas crenças.

A ANÁLISE DOS SONHOS E O CONHECIMENTO DA NATUREZA HUMANA

JANEIRO/2.015

Camilo de Lelis Mendonça Mota é terapeuta holístico

Desde a publicação de “A interpretação dos sonhos” de Sigmund Freud, em 1900, a compreensão sobre a natureza humana ganhou novos significados. Ao incluir o conceito de Inconsciente no paradigma científico, o médico austríaco abriu as portas para a desconstrução de mitos e formalidades que ainda persistiam na sociedade de seu tempo. Seguindo um princípio determinista, típico da ciência forjada em fins do século XIX, Freud colocou o Inconsciente no centro das ações humanas, sendo tal componente o responsável pela configuração mesma do ser, influenciando todo o seu psiquismo e suas ações no mundo. Nesse contexto, os sonhos tomam papel primordial para o conhecimento do verdadeiro homem, de sua natureza profunda, que molda toda sua realidade exterior.

O que até então era apenas objeto de especulação ou de interpretações alegóricas ou místicas, de cunho popular, passa a fazer parte do rol de estudos de base objetiva. Segundo Freud,

“Os sonhos nunca dizem respeito a trivialidades: não permitimos que nosso sono seja perturbado por tolices. Os sonhos aparentemente inocentes revelam ser justamente o inverso quando nos damos ao trabalho de analisá-los” (FREUD, 1996, P. 213)

Como bem afirma FROMM, Freud “reconheceu, pela primeira vez, o sintoma neurótico como algo determinado por forças dentro de nós mesmos, como algo que faz sentido quando se possui a chave para entendê-lo”. (FROMM, 1973, P. 45)

Ainda que marcada por uma forte sexualização em sua interpretação e restrita à ideia de que os sonhos sempre são realizações de desejos, a teoria freudiana serviu de base para desenvolvimento de novos caminhos para se chegar ao Inconsciente a partir do reconhecimento das imagens geradas nos períodos de sono.

Um desses novos caminhos interpretativos foi proposto por Carl Gustav Jung, cujos seminários sobre interpretação de sonhos realizados em língua inglesa no período entre 1928 e 1930 chegam agora ao Brasil pela Editora Vozes (Seminários sobre análises de sonhos: notas do seminário dado em 1928-1930 por C.G. Jung. Organização de William McGuire. Tradução de Caio Liudvik. Petrópolis, Vozes, 2014). Durante muitos anos, esse material ficou restrito a um pequeno e seleto grupo e só tinham acesso a ele aqueles analistas que tivessem aprovação das instituições que os mantinham. Graças ao trabalho de organização desenvolvido inicialmente por R.F.C. Hull e complementado por William McGuire, os apreciadores da obra de Jung, estudantes e profissionais de psicologia e psicanálise têm em mãos um material riquíssimo em conteúdo para aprofundamento numa das áreas mais controversas da psicologia. 

Como ser objetivo com algo tão subjetivo? Nesse contexto, JUNG aponta um sinal: “O sonho é uma tentativa de assimilar coisas ainda não digeridas. É uma tentativa de cura” (JUNG, p. 43). E ao longo dos seminários, ele apresenta um conjunto de sonhos de seus pacientes e os coloca em discussão com o grupo de estudos. A cada página ele vai descortinando possibilidades, abrindo caminhos de interpretação, partindo de referenciais do próprio sonhador, bem como estabelecendo ligações com temas universais (um sonho com um touro, por exemplo, leva Jung a fazer uma digressão sobre a relação com Mitra e a elaboração da vida social).

Um detalhe interessante desta obra é a manutenção de certo tom mais trivial do discurso. As transcrições feitas mantiveram a fluência da palavra do médico suíço, o que nos permite acompanhar o raciocínio e, ao mesmo tempo, sentir como as ideias iam sendo construídas na medida em que apresentadas pelo autor. Também são mantidos os diálogos e intervenções dos participantes. Há momentos em que é possível perceber a sutileza do humor de Jung ao abordar algumas questões. Em outros, flui um conjunto de citações históricas e conhecimentos de culturas diversas que embasaram e deram sustentação a muito do que Jung desenvolveu em suas teorias. É como se estivéssemos frente a frente com ele, sentindo também nosso Inconsciente mobilizado pelo conjunto sistêmico de seu raciocínio.

Como citado anteriormente, há traços referenciados à teoria freudiana, mas Jung já aponta novos rumos em seu trabalho, desconstruindo a abordagem de seu iniciador na Psicanálise. Enquanto Freud postulava que nos sonhos certas imagens oníricas seriam expressões disfarçadas de algum sentimento (ao invés do paciente sonhar com o próprio médico, no sonho apareceria outra pessoa para representá-lo, como um mecanismo de disfarce, um ocultamento que precisaria ser desvendado), Jung já busca uma concretude maior em seu objeto de estudo:

“Afirmo  que o inconsciente diz o que quer dizer. A natureza nunca é diplomática. Se a natureza produz uma árvore, é porque quis fazer uma árvore, não se enganou querendo fazer um cachorro. E assim o inconsciente não busca disfarces, nós é que o fazemos”. (JUNG, p. 51)

Ele extrapola o conceito de sexualidade e apresenta uma abordagem que vai do simbólico ao histórico, objetivando a construção de uma nova imagem do sujeito, que se vê frente a frente com sua realidade interior querendo ser conhecida.

Jung apresenta nesses seminários praticamente todos os temas com que trabalhou ao longo de sua trajetória na construção da Psicologia Analítica: anima, animus, inconsciente coletivo, sombra, entre outros. É num destes seminários que ele apresenta pela primeira vez o conceito de Sincronicidade, que somente em 1930 viria a ser desenvolvido formalmente em livro.

Os “Seminários sobre análise de sonhos” vêm enriquecer sobremaneira a literatura de psicologia disponível em língua portuguesa, acrescentando valiosas informações à tão vasta obra de Carl Jung e abrem um leque de opções para o estudo sistemático deste componente tão essencial em nossas vidas, o sonho, e que tantas vezes tratamos como uma coisa engraçada ou sem sentido.

Para além desta compreensão, os seminários mergulham a fundo na dinâmica do Inconsciente e sua profusão de imagens que revelam seus significados na medida em que compreendemos sua dinâmica, seu movimento, sua historicidade:

“São pequenos dramas, cada um com seu preâmbulo, situação dramática, catástrofe e solução, embora de certa forma estáticos. Porém, se analisarmos uma série de sonhos, descobriremos que há um movimento, um movimento circular, ou melhor, uma espiral. E ainda, isto nos dá uma maior sensação de certeza e segurança em saber que uma suposição equivocada poderá ser corrigida ou verificada nos sonhos seguintes; e conseguimos ter uma muito melhor impressão da análise de sonhos quando podemos seguir uma série de sonhos da mesma pessoa”. (JUNG, p. 293)

Provocador e perturbador de nossas consciências com seus conceitos que foram tidos por muitos como mais místicos do que científicos, Jung é uma referência fundamental para quem deseja se aprofundar no conhecimento da mente humana e trabalhar no sentido de levar o homem a sua individuação, fazendo a integração completa de todo o seu ser.

 

REFERÊNCIAS

FREUD, Sigmund. A interpretação dos sonhos I. Obras psicológicas completas de Sigmund Freud: edição standart brasileira. Volume IV. Rio de Janeiro, Imago, 1996.

FROMM, Erich. A linguagem esquecida: uma introdução ao entendimento dos sonhos, contos de fadas e mitos. 4ª edição. Tradução de Octavio Alves Velho. Rio de Janeiro, Zahar, 1973.

JUNG, Carl G. Seminários sobre análises de sonhos: notas do seminário dado em 1928-1930 por C.G. Jung. Organização de William McGuire. Tradução de Caio Liudvik. Petrópolis, Vozes, 2014.

MUITOS? POR QUE NÃO SÓ UM MUNDO?

JANEIRO/2.015

Luciana Rodrigues é psicopedagoga em atividade

          N’“O Livro dos Espíritos”, capítulo III, discorre-se sobre a pluralidade dos mundos e, na questão 55, responde-se de forma efetiva, acrescentando-se sobre a habitabilidade deles: “Sim e o homem terreno está bem longe de ser, como acredita, o primeiro em inteligência, em bondade, e em perfeição. Há, entretanto, homens que se julgam espíritos fortes e imaginam que só este pequenino globo tem o privilégio de conter seres racionais. Orgulho e vaidade! Julgam que Deus criou o Universo somente para eles”.
           A primeira visão, bíblica-antropocêntrica, desprovida dum conhecimento prévio e confortável, caracteriza-se como ego centrista: nosso planeta é habitado enquanto todos os outros e as galáxias são apenas existentes, contudo sem um porquê finalístico.  Tal teoria tornar-nos-ia máximos superioridade e privilégio, considerando haver sido uma escolha de Deus para a existência da vida, entretanto este é um fato que contraria os princípios divinos pautados na justiça, inteligência, e bondade.
         Por outro lado, dispondo-nos a uma análise racional, digo, científica, não há como não asseverar a existência, em cada orbe planetário, daquela incógnita cuja necessidade ainda não descobrimos: há vida fora da Terra?
          A ciência da Astrobiologia, ou simplesmente, Exobiologia – projeto da NASA desde 1.959; programa estabelecido em 1.960; explorações espaciais “Viking/1.976”; Busca por Inteligência Extraterrestre/SETI, em 1.971; aterrissagem da sonda “Mars Pathfinder”, em 1.977; e, atualmente, número crescente de universidades norte-americanas, inglesas, canadenses, irlandesas, e australianas, oferecendo graduações na área –, busca incessantemente, através desses estudos, averiguar indícios vitais em outros mundos planetários. Não obstante, quando tais assuntos são analisados a partir da Doutrina Espírita, eis uma revelação na qual se define um parâmetro óbvio e efetivo sobre a existência plural deles, mantidas, obviamente, suas características e evoluções espirituais. 
          Isso significa que foi somente a partir das luzes do “Evangelho Segundo o Espiritismo” e d’“O Livro dos Espíritos”, no XIX, que passamos a entender tais problemas e explicar as diferenças nas constituições dos globos, mediadas pelo amor infinito de Deus que, em magnitude e sabedoria, propicia condições de aprimoramento aos espíritos a partir das constituições dos meios.
          Retomando então àquela pergunta, sua resposta torna-se clara a partir do comentário de Kardec: “Deus povoou os mundos de seres vivos, e todos concorrem para o objetivo final da Providência. Acreditar que os seres vivos estejam limitados apenas ao ponto que habitamos no Universo, seria pôr em dúvida a sabedoria de Deus, que nada fez de inútil e deve ter destinado esses mundos a um fim mais sério do que o de alegrar os nossos olhos. Nada, aliás, nem na posição, no volume ou na constituição física da Terra, pode razoavelmente levar-nos à suposição de que tenha o privilégio de ser habitada, com exclusão de tantos milhares de mundos semelhantes”.
          Em suma: seja qual tenha sido o caminho escolhido por nós, não nos é possível ignorar nem contestar a verdade lógica e irrevogável, considerando não haver causa sem efeito, existência sem motivo, e nem criação sem objetivo. Compreender essa dinâmica intelectual, ao contrário da estagnação ideológica, é se tornar conscientemente raciocinante sobre as infinitas formas de existência e possibilidades de crescimento do ser inteligente do universo. Eis o porquê dos “muitos mundos”.

POR QUE SONHAMOS?

JANEIRO/2.015

Marcos Germano é Aluno do ESDE

           A edição comemorativa dos 125 anos da revista “Science”, em julho de 2.005, apresentou-nos uma lista das 125 questões ainda não respondidas pela ciência que ainda desafiarão os pesquisadores deste século, incluindo esta, dentre elas: “por que sonhamos?”.
       Na Antiguidade o misticismo religioso predominante atribuiu aos sonhos um caráter sobrenatural, portanto, supersticioso, principalmente quanto às premonições reveladas por “anjos” ou por “demônios”. A própria Bíblia possui vários relatos deles, e muitos conquistadores antigos incluíram interpretadores de sonhos em suas comitivas e orientaram-se por estes em suas ações militares.
          Embora Aristóteles (384 a.C.-322 a.C.) houvesse visto nos sonhos um fenômeno natural, cumpre-nos adiantar que os progressos obtidos atualmente pelas pesquisas científicas ainda não conseguiram responder com exatidão qual é a finalidade dos sonhos, ou o seu “porquê”.
          No entanto, muitas pessoas dizem não sonhar. Todavia, mediante experimentos laboratoriais, sabe-se que sonhamos todas as noites, apesar de não registrarmos suas lembranças em nossas memórias.
          Do ponto de vista da Neurofisiologia, o ato de dormir é um processo realizado em quatro estágios onde os sonhos somente ocorrem após o último deles. Estes seriam os resultados dos estímulos guardados durante o estado de vigília que, no sono, convertem-se em imagens visuais. Teriam a função de consolidar alguma forma de memória.
          A Psicologia, nesse aspecto, baseia-se, principalmente, nos estudos de Sigmund Freud (1.858-1.939) e de Carl Jung (1.875-1.961), buscando na interpretação simbólica dos sonhos uma alternativa terapêutica, exceto nos casos das enfermidades mentais, tratadas medicamentosamente pela Psiquiatria.
          Em suma, todos convergem ao considerar os sonhos como efeitos cujas causas encontram-se nas experiências registradas em nossas mentes. Ao estudarem o cérebro, a Neurofisiologia relata o que vê, a Psicologia o que sente, e a Psiquiatria as patologias ocorrentes. 
          Mas como resolver o problema dos sonhos premonitórios, o dos emocionantes, o das percepções realísticas com sentidos apurados, dentre inúmeros outros? E mais: como deveremos considerar as referências religiosas sobrenaturais onde anjos e demônios utilizam os sonhos para se comunicar com os homens? Afinal: se os sonhos são reais-naturais, então por que sonhamos? Logo, onde encontrar a ponte científica e religiosa tão necessária para interconectá-los à realidade?
          Resposta, no Espiritismo, pois somente essa filosofia espiritualista vai ao encontro da ciência, demonstrando a ignorância desta ao desconsiderar o homem como um ser integral, dotado de espírito e matéria, e da mesma forma desobscurece o antes sobrenatural, pois, para o Espiritismo, os sonhos são meras lembranças do que o Espírito vivenciou durante o estágio do sono. Este, por ser o ser pensante, não dorme durante o repouso corporal, antes aproveita da sua relativa liberdade e da plenitude das suas faculdades para entrar em contato com o mundo dos Espíritos.
          Dessa explicação decorrem as infinitas variações dos sonhos explicados a partir da emancipação da alma à luz da Doutrina Espírita, a qual não afasta as considerações científicas, mas, contrariamente, dá-lhes complemento.
          “Por que sonhamos” então? Porque os nossos Espíritos estão sempre em movimento e, do movimento onírico, surgem impressões que guardamos vagamente ao acordar, porquanto o cérebro nem sempre registra as marcas obtidas, o que redunda em esquecimento apropriado ao nosso desenvolvimento moral. Isto posto, a Psicologia não está errada ao afirmar “...fazemos um sonho...” ao invés de “...tivemos um sonho...”, porquanto, afinal, quem sonha faz o sonho, e quem o faz é o agente do sonho, ou o Espírito.

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